Leva isso aberto no celular no dia da gravação. Cada cena tem onde pôr o celular, quanto gravar e o que pedir (e não pedir) pra paciente.
A lógica toda cabe numa frase: quem assiste quer se ver na paciente, não ver a agulha.
Fonte: McLenon e Rogers, The fear of needles: a systematic review and meta-analysis, Journal of Advanced Nursing, 2019
01Antes de ligar a câmera
02Cena 1: a chegada
É aqui que quem assiste se reconhece. Ela ainda está com dúvida, e a dúvida dela é a mesma de quem está do outro lado da tela.
- Plano: médio, da cintura pra cima, ela e a doutora no quadro.
- Onde fica o celular: no tripé, na altura do peito, de lado (mais ou menos na diagonal), pra pegar as duas conversando sem ninguém olhar pra lente.
- Quanto gravar: deixa rodar de 1 a 2 minutos de conversa. No vídeo vão entrar uns 5 segundos, mas você só acha a frase boa gravando bastante.
- O que pedir: que ela conte o que incomoda com as palavras dela. A doutora puxa com "O que te trouxe aqui hoje?".
- O que não pedir: olhar pra câmera, repetir texto pronto, falar o nome do procedimento como se fosse propaganda.
03Cena 2: o espelho
É a cena que vende. E é a que mais gente perde, porque entrega o espelho antes de apertar o rec.
- Plano: close do rosto dela. Filma ela, não o espelho.
- Onde fica o celular: atrás do ombro do espelho, na altura dos olhos dela, um pouco de lado. Se o espelho é de mão, quem filma fica do lado de quem entrega.
- Quanto gravar: começa a gravar antes de entregar o espelho e deixa rodar de 30 segundos a 1 minuto sem cortar. A reação de verdade às vezes vem no segundo olhar.
- O que pedir: nada. Só avisa antes, lá no começo do atendimento, que esse momento vai ser filmado.
- O que não pedir: "faz cara de feliz", "fala que amou", "olha pra cá". Reação dirigida parece falsa e quem assiste percebe.
Fonte: CFM, notícia sobre a Resolução CFM 2.336/2023
04Cena 3: a saída
Fecha a história. Sem ela, o vídeo termina no meio.
- Plano: médio ou aberto, ela andando.
- Onde fica o celular: parado no fim do corredor ou perto da recepção, com ela vindo na sua direção ou passando pela porta.
- Quanto gravar: de 20 a 30 segundos. Grava duas vezes se precisar.
- O que pedir: que ela comente, numa frase, como está se sentindo. Se ela quiser só se despedir da recepção, também serve.
- O que não pedir: depoimento de resultado ("ficou perfeito, recomendo"). Além de parecer anúncio, é o tipo de frase que pode dar problema com o conselho.
05Cobertura e a agulha
Cobertura são as cenas curtas que você encaixa entre as principais pra o vídeo respirar. Grava de 5 a 10 segundos de cada, com o celular parado:
E a agulha? Close de agulha não entra. Se o procedimento precisar aparecer:
- Plano aberto, de longe, com a doutora e a paciente no quadro.
- No máximo 1 ou 2 segundos, no meio do vídeo. Nunca no começo.
- Sem foco na ponta. Se ficar em dúvida, deixa de fora.
06Na edição: começa pelo espelho
Muita clínica monta na ordem que aconteceu: logo, procedimento, resultado. Eu monto na ordem que prende.
- 0 a 3 segundos: o espelho. A reação dela, sem explicação, sem logo.
- 3 a 8 segundos: a chegada. A frase dela contando o que incomodava.
- 8 a 16 segundos: a conversa com a doutora e a cobertura.
- 16 a 20 segundos: a saída.
- Final: logo e vinheta, se tiver, só aqui.
- Legenda em tudo. Muita gente assiste sem som.
- Texto na tela curto, que dá pra ler em 2 segundos.
- Música baixa por baixo da fala, nunca por cima.
07Pra fazer essa semana
- Imprime ou revisa o modelo de autorização de imagem da clínica.
- Escolhe uma paciente que topa ser filmada e combina as 3 cenas com ela.
- No dia, deixa esta checklist aberta e marca cada cena gravada.
- Monta o primeiro vídeo começando pelo espelho.
- Compara com o último vídeo da clínica que começou pelo logo.